“Recomeça… se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”
Miguel Torga

sábado, 7 de julho de 2007

Porque hoje é 07.07.07



Porque dizem que o n.º 7 dá sorte e é um n.º mágico eis aqui um pequeno vídeo do último concerto dos Trovante - no Pavilhão Atlântico - em Lisboa.

Aqui fica a letra da música "Balada das sete saias":

Sete ondas se noivaram
Ao luar das sete praias
Sete punhais se afiaram
Menina das sete saias

Sete estrelas se apagaram
Sete-que-pena choraias
Sete segredos contaram
Menina das sete saias

Eh ah......

Sete bocas se calaram
Com sete beijos beijai-as
Sete mortes evitaram
Menina das sete saias

Sete bruxas se encontraram
No monte das sete olaias
Sete vassouras montaram
Menina das sete saias

Sete faunos contrataram
Sete cornos e zagaias
Aos sete encomendaram
Menina das sete saias

Sete princesas toparam
Com mais sete lindas aias
Por sete e sete deixaram
Menina das sete saias

Sete danças que bailaram
Sete vezes que desmaias
Sete luas te ansiaram
Menina das sete saias

Sete vezes se encantaram
No bosque das sete faias
Sete sonhos desfolharam
Menina das sete saias

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Volto mais logo


Break..., originally uploaded by @rmando.

Não!!! Não vou de férias, mas a vontade é mais que muita!
Este ano eles vieram mais tarde, mas chegaram.
Costumavam atacar os nossos neurónios em Junho, mas devido à chamada restruturação dos cursos superiores para o Regime de Bolonha, apareceram apenas em Julho. Mas nem mesmo assim vão deixar de nos queimar os neurónios.
Refiro-me aos exames da faculdade. É que, efectivamente, a vida de estudante não é fácil. E estar 3 horas dentro de quatro paredes nem sempre chega para concluir convenientemente uma prova de fogo.

O primeiro exame foi de Direito Penal. Seguem-se outros até ao dia 27 de Julho, pelo que até lá as minhas ausências por aqui vão ser maiores.
Ainda bem que lá fora (agora que estou a escrever) chove. Assim talvez aumente a vontade de estudar. É que com o calor só se pensa nas férias, na praia e, ou seja, pensa-se em tudo menos nos estudos.

Volto assim que puder, por isso vá voltando também para ver se há novidades. Caso vá de férias: goze-as bem e "Carpe Diem.

domingo, 1 de julho de 2007

Não queiras saber de mim...

sábado, 30 de junho de 2007

Cavaleiro Andante

Porque sou cavaleiro andante,
que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito,
as mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe,
e a chuva de Maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe,
e a vida passe e não te olhe.

Porque sou cavaleiro andante,
que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito,
pois sabes sempre onde estou

E sempre que a rádio diga,
que a América roubou a lua
Ou que o louco te persiga,
e te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta,
mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias,
de viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito,
longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado,
no meu cavalo de pau

ouvir música

Rui Veloso

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A Terra


Summer..., originally uploaded by @rmando.

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

In Miguel Torga

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Petit rose...


Mystic red..., originally uploaded by @rmando.

Que a vida não seja vista apenas a preto e branco. Há cores para descobrir...

sábado, 23 de junho de 2007

Por que os outros...

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner.

domingo, 17 de junho de 2007

Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu.
Não digas nada.
Sê Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Madeleine McCann


As buscas continuam... Infelizmente ainda não há notícias, após 15 dias de desaparecimento.
Este tipo de crime é um dos piores de investigar. Não compreendo como é que no Reino Unido falam tão mal da nossa Polícia Judiciária.
Temos ao longo do tempo mostrado provas mais do que evidentes que somos uma das melhores Polícias de Investigação do mundo inteiro. Se somarmos aos resultados obtidos a enorme falta de recursos seremos mesmo a melhor a nível mundial.
O caso de Madeleine é igual a tantos outros que assolam o mundo criminógeno. As principais horas são as primeiras e mesmo assim tudo aqui pode acontecer. Quem rapta facilmente consegue movimentar-se para outro local, esconder a criança, alterar-lhe a cor dos cabelos, etc...
Não vou comentar a incúria do dever de vigilância dos pais. Nem tão pouco a falta de informação prestada pela PJ, pois em Portugal não existe esse hábito da common law.
Os investigadores criminais apenas desejam que os deixem trabalhar em paz. Não têm uma "bola de cristal" para adivinhar as coisas e tudo tem que ser feito com peso e medida, tal puzzle em que as peças têm que encaixar nas peças certas.
Este caso mereceu algum destaque em virtude dos pais da menina se encontrarem em país estrangeiro de férias. Teria tido a mesma notariedade se tivesse acontecido no país de origem deles? Julgo que não!
Todos os dias, infelizmente, desaparecem crianças. O móbil do crime pode ser o mais variado... Muitas aparecem e outras perde-se-lhe o rasto até nunca mais.
Não vale a pena culpa a PJ pelo seu trabalho. Estão a fazer o seu melhor e dar tudo por tudo para encontar a Madeleine McCann.
Se viu esta menina entre em contacto com as autoridades policiais.

Find Madeleine McCann

More info http://www.findmadeleine.com

terça-feira, 15 de maio de 2007

Navegar....


In the river, originally uploaded by @rmando.

Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar


Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá

Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar


navegar navegar...


Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

In Fausto
Song: Navegar, Navegar

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril de 1974

Era bebé quando se deu o 25 de Abril de 1974.
Não me lembro desta data, pois naquela altura limitava-me a fazer o que fazem hoje todos os bebés com 4 meses.

Nos bancos da escola e em conversa com os mais antigos fui sabendo o quão importante foi este dia.
Não me imagino a viver sem a LIBERDADE e todas as perrogativas que ela nos trouxe.

Deixo um pequeno vídeo que contém fotos da Revolução dos Cravos. A música de fundo essa dispensa apresentações, foi a chave para a Revolução: Grandôla Vila Morena, na voz inconfundível do Zeca.

25 de Abril, SEMPRE!!! Viva a LIBERDADE!!!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Nostalgia.


Castiço II, originally uploaded by @rmando.

Faz-me falta o mar.
Um sossego com sabor
a maresia, suave e fresca.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Mário Cesariny

«Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados
que ando a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura»

Poema, Pena Capital

sábado, 14 de abril de 2007

Ainda a Licenciatura de José Sócrates

A novela em torno da licenciatura do Primeiro-Ministro ainda vai, ao que parece, no adro.
Hoje surgiram "novos" diplomas, novas datas, novos elementos.

«Se desconfiamos de Sócrates temos todo o direito de desconfiar daqueles que de ele desconfiam, de modo tão obsidiante. A arfante diligência com que jornais e televisões (não todos, não todas) desancam o homem – dá que pensar. E a vida ensinou-nos que nada acontece por banal prolongamento do acaso.
Ao que julgo saber, a história foi anunciada, há quase dois anos, na blogosfera. Porquê só agora este insistente apego a uma revelação que, afinal, o não é? As consequências possíveis das afirmações implicam os termos de uma responsabilidade que a entrevista de José Sócrates à RTP abordou, com demonstrada capacidade do entrevistado.


Urgente era sabermos se houve, ou não, tráfico de influências, favores mútuos, omissões mais deliberadas do que negligentes. E a consequente avaliação do carácter de Sócrates, sob o prisma moral e ético. Creio que a apreciação política terá de ser subsidiária daquela. Estou à vontade: tenho criticado a actuação deste Governo, que me parece não apenas mau: no meu entender, é muito mau. Nada me impede de tentar ver as coisas para lá dos vapores de nevoeiro criados em redor deste assunto. Repugnam-me tanto os ofícios de trevas como as liturgias sacrificiais.»

Nota: Negrito feito por mim.

Concordo plenamente com este artigo de Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, que pode e deve ser lido na integra aqui.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

C. D. (XI)

Carpe Diem

Já há tempos que não falava sobre o meu estado de saúde. Talvez por ir melhor e ter já em mãos outras tarefas, tenho descurado este blog e quem, eventualmente, o leia.

Já estou na fisioterapia há algumas semanas e já começo por colocar o pé no chão. As dores são cada vez menos, mas o inchaço ainda é uma realidade que não foi ultrapassável. Mas vai com o tempo. Já conduzo [moto ainda não :-( ] e quase que faço uma vida mais ou menos normal
Na fisioterapia encontrei casos dramáticos e apesar disso as pessoas sorriem, lutando cada dia para ficar melhor. Vivem um dia de cada vez, aproveitam o dia ao máximo! No fundo são felizes!
Fez-me lembrar o livro "Gente Feliz com Lágrimas".

Aproveitem o dia, como se este fosse o último, pois a vida é bela e jamais se poderá guardar para amanhã os prazeres de hoje. É que o amanhã poderá nunca chegar!

Deixo-vos com uma música, que faz juz à estação que atravessamos, do grupo Madredeus: Andorinha da Primavera

sábado, 7 de abril de 2007

(Des)concentração...

Não me consigo concentrar...
Subitamente falta-me o ar...
E suspiro por algo que me falta!..

Tranco a porta a sete chaves,
Concentro-me no meu dever.
Mas no fundo só te quero ter!

Mas voltaste, ainda que tarde
Consegui desconcentrar-me em ti.
Uníssona perfeição: o nosso amor arde!

AR 07/04/2007

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Quase um poema de amor.


The pretty love..., originally uploaded by @rmando.

"Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor"

Miguel Torga

quinta-feira, 29 de março de 2007

Isto é que vai uma crise....

Duas crises se têm verificado nas últimas semanas: Por um lado a revolução que se está a operar no seio do CDS/PP; por outro o caso da Universidade Independente.
Ambas têm semelhanças, senão vejamos:
  • Pretendem tomar o poder à força;
  • Não se olha a meios para atingir os fins
  • As demissões sucedem-se

Efectivamente o caso da UNI deixa-me mais preocupado. Não tanto pelos senhores que lutam pelo poder e que dia-após-dia vão sendo detidos e acabam por ficar, como medida de coacção, em prisão preventiva. preocupam-me os alunos que ali investiram o seu capital, que todos os meses pagam a mensalidade e, de um momento para o outro, assistem ao desmoronar das "cartas em castelo".

Já no seio do CDS/PP a única figura que acaba por sair em ombros é mesmo Maria José Nogueira Pinto. É de louvar a sua tomada de posição e faz juz ao velho brocado que diz, "quem está mal muda-se".

Paulo Portas, que iria para os EUA quando abandonou a liderança do partido, não consegue viver sem as luzes da ribalta.

Mas quanto à classe política, estou como diz o outro "que venha o diabo e que escolha, pois nenhum se aproveita".

terça-feira, 20 de março de 2007

Pára Euribor

Certamente já viram o anúncio do Zé Pedro e a Euribor, daquela instituição bancária do Sr. Espírito Santo (BES).
Riam-se agora com o sentido de humor deste grande humorista.
Está sensacional.

domingo, 18 de março de 2007

C. D. ( X )

Carpe Diem....

Lá fora está um lindo dia de sol... e eu aqui em casa a aproveitar o tempo para colocar em dia as matérias da faculdade.
Há uma semana que ando na Fisioterapia. Inicialmente todos os tendões estavam "duros". Mas com o tempo acho que tudo vai voltar ao sítio.
Já faço bastantes movimentos com o pé e este já não fica assim tão inchado quando ando de canadianas. Apesar de não poder colocar o peso do corpo em cima desta perna, sinto que as articulações vão-se de novo adaptando às suas funções.
Tenho feito muitos exercícios em casa e isso também ajuda, pois a fisio resume-se a duas horas, três vezes por semana.
Na Fisioterapia vejo casos mais graves que os meus, como sendo pessoas com pernas amputadas ou outras lesões maiores. E essas pessoas sorriem, falam e não se deixam desanimar. No fundo aproveitam a sua vida da melhor forma. Há pessoas que têm uma força de vontade tão grande que até me dá admiração ouvi-las. Mas isso é reconfortante e ajuda as outras pessoas que ali estão presentes.

Sinto saudades da minha moto e de fazer umas viagens valentes nela, agora que o tempo está a ficar óptimo.
Agora custa mais estar quieto... Mesmo assim já consigo conduzir o meu carro. Já vou às aulas todos os dias e estou com os colegas em plena galhofa, por vezes (lol).

Não há mesmo condições para quem está, ainda que temporariamente, reduzido das suas faculdades físicas. Na Universidade tenho que subir, mais ou menos, 20 degraus (descer é sempre mais fácil). Não há rampas, nem sequer elevadores...

Mas a vida continua e por isso devemos aproveitar todos os momentos que ela nos dá.
Carpe Diem e sejam felizes também.

terça-feira, 6 de março de 2007

C. D. ( I X )

Ontem (05/03/2006) voltei à consulta de ortopedia no Hospital Amadora/Sintra.
Desta vez não houve problemas e fui rapidamente atendido. Aprendi a forma de dar a volta às questões de um hospital público.
Inicialmente confirmei a consulta, mas antes de ir para esta retirei a outra senha que dá acesso à nova marcação de consulta.
Aguardei o médico junto do gabinete. Chegou e de imediato me viu e mandou-me retirar o gesso (dia 15 faz dois meses que parti a perna). Depois de retirar o gesso fui marcar a nova consulta e acreditem apenas tinham passado dois números para além do meu.

Como o tempo faz diminuir os nossos músculos quando estes não têm uso. A minha perna mais parece um braço. O gémeo quase desapareceu para dar lugar a uma perna direita, sem músculo, apenas osso. Já movimento um pouco a articulação dos tornezelos, mas não vamos estragar o que demorou a compor, por isso nada de abusos.
Para a semana inicio a fisioterapia e, apesar de não poder colocar, ainda, o pé no chão, sinto-me melhor.

Obrigado a todos aqueles que me têm visitado, telefonado ou me mandam mails a questionar o meu estado de saúde.
É bom poder contar com a vossa presença.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Zeca Afonso.

Volvidos 20 anos (faz hoje, precisamente) sobre a morte de Zeca Afonso, as suas músicas aínda se mantêm actuais e sempre vivas na nossa memória.

Eis aqui a Canção de Embalar, uma das mais bonitas de sempre, se bem que para mim todas elas são fantásticas e as suas letras em plena oposição à ditadura Salazarista.

Viva à Liberdade, pois o Zeca sempre lutou por ela. Fica a música de intervenção como grande obra deste Homem que sempre lutou pela Liberdade.

"Nunca mais te hás-de calar óh Zeca para nós".

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Jardim sucede a Jardim

Na passada segunda feira foi publicado em DR o diploma relativo às finanças das regiões autónomas.
Já a noite tinha caído e na TV Alberto João Jardim apresentava a sua demissão e, num ápice, a sua candidatura.
Ora eis algumas considerações sobre este político que está no poder já lá vão quase 30 anos:
1.º - Quando o PSD era governo e Manuela Ferreira Leite Ministra das Finanças, tinham ameaçado a Madeira sobre a dívida que esta tinha. Resultado, o Sr. J. deslocou-se à fonte e conseguiu levar o jarro cheio de água, que é como quem diz, conseguiu levar a bom porto as suas intenções;
2.º - Estando a meio do mandato e renunciando ao mesmo, candidatando-se de seguida, apenas se vê neste gesto um prolongamento do mandato. Talvez daqui a ano e meio o Sr. J. já não tivesse tanto apoio dos madeirenses.
3.º - Se as regras foram alteradas a meio da construção da casa, haverá mais bancos para solicitar o dinheirinho que falta para a construiu, isto é, o Sr. J. deve apostar no investimento estrangeiro.

Pergunto o que irá aquele político fazer, se ganhar as eleições (como parece que vai acontecer)? Com uma maioria reforçada na Assembleia Legislativa Regional conseguirá mais dinheiro para a Madeira? Julgo que não!! Conseguirá pedir a independência de Portugal Continental, atacando de surpresa Lisboa? Não tem forças armadas, nem armas para isso!!

Resta só uma solução: o Sr. J. renunciou e candidata-se para levar a cabo mais um plebiscito.
Se todos os portugueses fazem esforços para sairmos da crise e termos um orçamento mais equilibrado, por que razão os Madeirenses hão-de ficar de fora? Certo é que os dinheiros públicos também lá chegam ( e se chegam!!) e formamos um único Estado Democrático.

Será que o Sr. J. vive na República das Bananas??

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Interior

Hoje estou numa de poesia.
Eis um belo poema de um grande poeta português, chama-se "INTERIOR " e vai dedicado a uma pessoa que me ofereceu um livro com 365 poemas. Tu sabes que falo de ti. Bjs.


"É bom ouvir de noite uma trompa de caça
Despir muito depressa a túnica da Lua
E descobrir o amor no forro de uma casa
onde apenas vibrava a memória da chuva

Depois de arrebatar o corpo da amada
ao ritmo infernal de um batuque de guerra
é bom permanecer na mesa de montagem
misturando Anfião Vivaldi Apollinaire

É bom lançar ao fogo um velho dicionário
É bom o crepitar das palavras antigas
Adivinhar quais são as que por fim renascem
e que sabem voar ao saírem das cinzas


É bom pedir perdão ao som de uma sonata
Segredar num soneto a ária do remorso
É bom recomeçar com música jazz
Vestir sem ninguém ver a túnica de Apolo"



David Mourão-Ferreira, Obra Poética.

Moments...


Moments..., originally uploaded by @rmando.

Quando uma
porta bate por uma razão
inexplicável;
quando as vozes se calam, na rua, e
ninguém está do lado de
fora;
quando te apercebes que as coisas
são mais complicadas do que
imaginas:
é possível que te inquietes, ou
que perguntes o que é a razão, ou até se
o mundo é, de facto, uma realidade
lógica. São angústias
desnecessárias: há zonas de sombra
em que não vale a pena entrar ou, se o acaso
te conduziu a elas, de onde convém sair
o mais depressa possível. O mistério
é uma terra de ninguém: e se alguém insiste
em habitá-lo, depressa se perde
dos outros. Vê-lo-emos ainda,
sonâmbulo, como se já não fosse
deste mundo; depois, mesmo que insista
entre nós, é como se fosse
transparente. Então, porque te interrogas
ainda? Vai até à porta mal fechada,
dá a volta ao trinco e empurra-a para dentro;
não te preocupes com quem fala, na rua; e
não ligues ao que é complicado:
o caminho mais simples é o que
não passa por fronteira
alguma; o que não obriga a que se olhe
para o outro lado da linha; o
que tem um princípioe um fim,
mesmo que isso também seja
complicado.

Obrigado Lenita por estas palavras de alguns anos, que ainda recordo e sempre que o efémero me parece eterno descanso os olhos sobre este poema

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

C. D. ( V I I I )

Mais um post sobre o Carpen Diem e mais concretamente sobre o meu estado de saúde.
Hoje fui à consulta ao Hospital Amadora Sintra. Uma vez mais surgiram problemas, o que seria anormal se não ocorressem.
Quando se vai a uma consulta externa, à chegada temos que confirmar a consulta. Realizado este procedimento verificou-se que o meu nome não constava da lista das consultas. Teria que falar com o médico e ver se ele me atendia ou não.
Fui realizar o RX e passei pelo serviço de internamento para ver se conseguia chegar à fala com o Dr. A enfermeira responsável referiu-me que ele iria ali passar para dar uma alta, mas quando não sabia. A administrativa do serviço foi de novo verificar no computador, mas o meu nome não constava na lista de consultas para hoje. Ainda argumentei que tinha um documento com a data que foi ali oposta pela menina que me marcou a consulta, mas nada feito. Resumindo teria que ir falar com o médico.
À chegada às consultas externas deparei-me com a funcionária que me tinha marcado a consulta. Afinal, parece que o meu nome estava lá, a outra colega "deve andar cega". Verdade seja dita não sei mesmo o que se passou com aquele sistema informático.
Para tornar as coisas mais rápidas fiquei de plantão junto do gabinete do médico, onde se iriam realizar as consultas.
Mal chegou falei com ele, apesar de me terem dito que o meu nome constava na lista. Fui de imediato atendido e vi o meu RX no PC do Dr.
Pareço o Robocop... Um ferro e dois parafusos.... A calcificação dos ossos está a correr bem e apenas terei que voltar para nova consulta em Março. Até lá fico com o gesso... :-(

Quando fui marcar a nova consulta exigi um comprovativo da mesma, é que como diz o velho ditado "gato escaldado da água fria tem medo".
Dores já não sinto quase nenhumas, mas o pé ainda fica inchado quando ando de muletas.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Referendo

Terminado o escrutínio do referento hoje realizado em Portugal há ilações (e lições) a retirar desta votação.
Primeiramente ganhou o SIM, com uma larga vantagem sobre o NÃO (quase cerca de 20% a mais).
Na verdade o segundo lugar vai para a abstenção que, pese embora, se verificou. Com cerca de 57% logrou obter o segundo lugar do pódium. Resulta deste facto que o referendo não vai ser vinculativo, porquanto não votaram mais de metade dos eleitores recenseados.
Estava nas mãos do povo legislar, mas parece que a chuva foi mais forte e deteve aqueles, menos aventureiros, de se deslocarem a uma mesa de assembleia de voto.
É incongruente tais comportamentos, pelo que passo a explicar: muito se têm queixado sobre as funções dos deputados na Assembleia da República (AR). Que não fazem nada, apenas passeiam e legislam apenas o que lhes interessa. São comentários destes e outros, que aqui não ouso escrever, que constantemente se ouvem nas ruas. E quem os comenta??? O POVO!!! O mesmo povo que hoje foi chamado a legislar e que se acobardou, ficando em casa.
Não se admirem que daqui a uns dias a AR despenalize o aborto, afinal os deputados que ali estão estão mais que legitimados (pois foram eleitos para aquelas funções pelo povo e, como se viu o povo não quis saber deste referendo) para o fazerem.
Digam o que quiserem e pensem ou não estou a favor de que a AR irradique o crime de Aborto constante no Código Penal. E esta irradicação deve ser feita já, uma vez que se encontra em preparação a alteração deste Código.
É o momento oportuno, por isso Sr.s deputados façam o vosso trabalho e como diz um ditado popular "Os cães ladram, mas a carabana passa".

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

The end...


The end..., originally uploaded by @rmando.

Já noutra ocasião coloquei este poema no meu blog. Uma vez que gosto imenso dele e dos poemas de Miguel Torga eis de novo este poema que muito significa para mim, cujo título é "Súplica":

"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

C. D. ( V I I )

Vai no 7.º post esta série do Carpe Diem.
Nestes tempos em casa tenho aproveitado cada minuto para viver intensamente.
Apesar do dia-a-dia lá fora ser sempre a correr, ser quase uma rotina, na qual nem se dá pela vida passar, há que fazer uma paragem e reflectir sobre como, quando e de que forma aproveitamos esta vida que temos.
Se num dado momento estamos bem, no minuto seguinte podemos estar mal. E aí pode já ser tarde.
Há que aproveitar intensamente cada minuto, dizer, sem receio, às pessoas que gostamos que gostamos delas. Fazer a paz e evitar as pequenas guerrinhas diárias, seja com os colegas de trabalho seja em casa...
Desfrutar cada momento e viver cada dia como se fosse o último.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Actualidades...

Já há dias que ando para escrever sobre dois temas que têm preenchido a actualidade, seja em jornais seja como tema de abertura dos noticiários da televisão.
Um deles é sobre o caso Esmeralda, a menina que foi dada pela mãe e que após 5 anos mais tarde o pai biológico decidiu reclamar (ou será que não foi bem assim?); O segundo tema é sobre o aborto e o referendo que se irá realizar no dia 11 deste mês.

Vamos por partes e por temas.
CASO ESMERALDA: Há cerca de 5 anos nasceu uma menina, filha de uma imigrante Brasileira e de um português. O pai biológico depois de informado sobre esta gravidez repudiou tal paternidade, tendo apenas se conformado com a mesma quando foi intimidado judicialmente a realizar testes de ADN. A mãe, face aos parcos recusos económicos que detinha, não teve outra opção: aos três meses de idade deu a sua filha a um casal que não podia ter filhos. Desde Dezembro do ano passado que o pai adoptivo foi preso e condenado a uma pena de prisão de seis anos por sequestro da menor, face o pai biológico ter intentado uma acção onde se discute o poder paternal da menor Esmeralda, o qual veio a ganhar.
A meu ver não estamos perante um crime de sequestro, mas quando muito de desrespeito por uma ordem judicial e por um crime de subtracção de menor. Crimes bem diferentes, tanto quanto à sua tipificação como à medida da pena que prescrevem.
Criou-se um movimento, encabeçado pelo Prof. Dr. Fernando Silva (a quem aqui dou os meus parabéns), que requereu ao Supremo Tribunal de Justiça o pedido de Habeas Corpus, mas tal pedido foi recusado.
A leitura do acórdão que deterrmina a pena de prisão para o pai adoptivo é muito incongruente, pelo menos existem lá factos, dados como provados, que os jornalistas deveriam ter lido antes de darem as notícias. A mãe adoptiva encontra-se com a menina em parte incerta e o pai biológico a cumprir pena de prisão. No fundo o único "crime" que aquele casal cometeu foi dar amor e carinho a uma menina que teria vivido noutras condições se não tivesse sido dada para adopção.
A lei tutelar educativa está mal estruturada, pois se uma criança for dada para adopção, e se o processo já estiver a decorrer, basta que um dos progenitores demonstre algum interesse pelo menor para que o processo volte "à estaca zero". E anda-se nesta vida anos e anos, infelizmente!!

ABORTO:
Vai realizar-se, pela segunda vez em oito anos, o referendo ao aborto. A pergunta, ainda que complicada (pensem nas pessoas mais analfabetas que desconhecem certos termos, como veremos na frase - "Concorda com a despenalização do aborto, se realizada por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento oficial de saúde?"). Se questionarmos as pessoas que vivem em certas aldeias e vilas certamente desconhecem a palavra "despenalizar".
Muita confusão se tem feito sobre "despenalizar" e " liberalizar". São palavras diferentes e com este referendo visa-se apenas despenalizar o aborto e nunca liberarlizar o mesmo. Actualmente o art.º 140.º do Código Penal prescreve uma pena de prisão até 3 anos para quem pratique o crime de aborto. Das ideologias mais religiosas às mais liberais há opiniões para todo os gostos. Basta ver os tempos de antena nas TV's ou ler as opiniões nos jornais.
Se no anterior referendo já tinha optado pelo "SIM" mantenho a mesma opinião. Por mais que se discuta quando começa a vida, em que momento podemos dizer que há vida, quem tem o direito de tirar a vida, etc... cabe à mulher dicidir se efectivamente tem ou não condições para criar mais um filho ou se aquele momento é o certo para ser mãe. Tanto mais que se a conduta de praticar o aborto for despenalizada a mulher apenas opta se quer ou não realizar o aborto e não tem que pensar em que condições miseráveis vai realizar tal aborto. Mesmo que não se despenalize o aborto ele vai continuar e existir e muitas mulheres continuaram a morrer ou a ter que posteriormente serem tratadas em estabelecimentos oficiais de saúde e nesta altura a serem acusadas de um crime, que a meu ver deveria deixar de existir.
Dia 11 saberemos esta decisão, sendo certo que só surtirá efeito se votarem 50% mais 1 dos eleitores inscritos.
Desde já se apela ao Voto, ainda que em branco ou nulo, pois é a forma mais democrática de expressarmos a nossa "voz".

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

C. D. ( V I )

Já passaram mais de quinze dias sobre o meu acidente e a minha perna partida.
Depois de tirar os agrafos e de me terem colocado um gesso completo, os meus dias são muito "mornos".
Passo o dia em casa... Levanto-me mais tarde que o habitual, mas também porque durante a noite fico acordado bastante tempo com algumas dores ou má posição da perna.
Depois, além das refeições, fico a ver TV (pouco), a navegar na net e a ler. Mas a maioria das vezes tenho que interromper estas actividades para descansar a perna e colocá-la mais elevada que a cabeça para não inchar.
Ainda vou andar com este gesso mais um mês e dá imenso trabalho tomar banho e querer andar para um lado e para o outro.

Agora é só dar tempo ao tempo.... Estou ansioso para começar a fisioterapia e recuperar o meu andar.... Ah!!! e claro... andar de moto!!!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

C. D. ( V )

Hoje, ou melhor ontem dia 29/01, fui ao Hospital Amadora Sintra para tirar os pontos e ser visto pelo ortopedista.
Dirigi-me ao enfermeiro e afinal o papel que eu tinha não servia. Tinha que ser outro modelo. Lá fui eu ao internamento de Ortopedia, fazendo uma maratona de canadianas, para arranjar um novo formulário.
Realizado o percurso invrrso lá tirei os pontos... Realmente o pé ainda está um pouco inchado, mas os pontos pareceram-me bem...
Depois desta aventura fui-me informar relarivamente à consulta. Era necessário tirar uma ficha com a letra "B" e aguardar... Uma hora depois, quando chega a minha vez, a menina do guichet refere que deveria tirar a letra "A" que era mais rápido. Enfim... Contra-informação de colegas de trabalho...
Aguardei na sala de espera... A consulta era para as 15H00, mas como não há duas sem três eis o que sucedeu a seguir: o médico foi-se embora e não viu mais de uma meia dúzia de doentes.
Que lindo Serviço Nacional de Saúde temos... Um funcionário ainda desabafou "onde ele está sei eu bem...." ao que eu respondi: "em alguma clínica que lhe dá mais dinheiro que aqui..." e retorquiu aquele repentinamente: "nem mais!!!".
Lá consegui falar com a médica que auxiliou na minha operação e fui consultado. Contudo, fiquei ali até às 18H00, quando a minha consulta deveria ter sido às 15H00 e a tinha confirmado pouco passava das 14H00.

Assim vai a nossa Saúde neste Portugal!!!!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Um pouco mais de azul...


Blue...., originally uploaded by @rmando.

Um pouco mais e o SLB consegue ultrapassar os azulinhos do norte (FCP). hehehehe....

Este fim de semana deu para colocar as coisas em dia... Não sair de casa, pelos motivos que conhecem, dá nisto mesmo.

Um abraço e boa semana a todos vós.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

C. D. ( I V )



Já regressei ao meu lar, depois de 10 dias de internamento no Hospital Fernando da Fonseca, vulgo Amadora/Sintra.





Na nota de alta estava escrito #trimaleolar (os médicos usam o símbolo # para designar fractura). Em pesquisa na net fui investigar do que se tratava este nome tão sui generis.





E como uma imagem vale mais que mil palavras deixo-vos uesta ma fotografia que explica tudo. Inclusive mostra a placa que se coloca junto da tíbia e os dois parafusos, tal como eu levei (da proxima vez que andar de avião vou apitar no controle de embarque, rsrsrs).



A todos os que me visitaram no hospital (e essas pessoas têm nome: Filipa Pais, Bruno, Isabel Névoa, Jorge Duque, Rosa Mota, Paulo Abalada, Paulo Matos, Mário Pinheiro, António Costa, Gabriel Abraços, José Machado, Conceição Machado, Telmo Machado, o meu pai, a minha madrasta, Clara Ramos, Armando Ramos, Alice Ramos, Ana Louro, Sandra Oliveira, Claide Americano, Luisete Alves, Sol, Pedro Vaz, Enf. Leitão, David Felix, Carlos Carrazedo, Luigi, - a ordem é arbitrária e de somenos importância (julgo não me ter esquecido de ninguém), e me contactaram telefónicamente (que foram bastantes e não dá para estar aqui a dizer tantos telefonemas) o meu bem-haja.

Estarei aqui quando precisarem de mim. :-)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

C. D. ( I I I )

Hoje recebi a notícia que amanhã iria ter alta.
Fiquei contente como, aliás, poderão imaginar.
Estar-se doente é mesmo péssimo, para já não falar do internamento hospitalar.
Há barulhos por todos os lados, as enfermeiras e enfermeiros mudam a cada turno e nem sempre estão bem humorados. Mas com o tempo vai-se conhecendo melhor estas pessoas que afinal tratam dos doentes aqui internados. Depois há os colegas doentes de quarto. Quando aqui cheguei colocaram-me num quarto com malta nova. Mas eles foram indo embora, com alta, e outros os sucederam.
Na noite passada algo de desagradável aconteceu. Um dos meus colegas, que ja tem os seus setenta e muitos anos, decidiu arrancar o soro e a algália. Quando me apercebi era sangue por todo o lado. Um toque na campainha e após alguns segundos eis que aparece a auxiliar e duas enfermeiras. Tiveram que o amarrar, pois o senhor estava super agitadíssimo. Toda a noite tentou sair da cama, querendo ir para casa, dizendo que a esposa estava lá sozinha e não sabia onde ele andava. E, a estas horas que escrevo, ainda que reine algum sossego, o referido senhor ja tentou levantar-se.
Mas queria dar-vos conta de como pequenos gestos podem significar muito, para quem fica de um momento para o outro incapacitado. Tal como ontem, hoje tomei banho sozinho e vesti-me sozinho. O gesso da perna dificulta os movimentos e as calças do pijama nem sempre são fáceis de vestir.
Andei o dia todo na cadeira de rodas aqui pelo serviço. Andava animado, pois amanhã irei embora. A perna doi-me menos, sendo uma dor tolerável.
Falei bastante com as enfermeiras e até consegui que uma das estagiárias me trouxesse um café. Ah, como me soube bem aquele café. Obrigado, enfermeira Ana.
Na porta da enfermaria estão as enfermeiras com a medicação nocturna. O meu vizinho de quarto decidiu fazer agora das dele. E estão a amarrá-lo novamente.
Será outra noite em branco???
QUERO A MINHA CASA!!!!

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Lisboa Antiga


Lisboa Antiga, originally uploaded by @rmando.

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Hoje senti saudades da Lisboa antiga. Porquê? Não sei!!!
Daí estas duas fotografias, tiradas quase no mesmo local, ou seja, no Bairro da Bica.
Hoje quem vive nestes bairros são pessoas idosas, onde poucos jovens existem devido sobretudo à grande especulação imobiliária e às casas se encontrarem na sua grande maioria com necessidades de obras.
Mas é sempre bom morar num bairro onde todos se conhecem, ou quase todos, como se de uma aldeia se tratasse.

Elevador da Bica - Lisboa


Elevador da Bica - Lisbon, originally uploaded by @rmando.

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

C. D. ( I I )

Ainda me encontro no hospital. :-(
Amanhã faz uma semana que aqui estou.
Por estar num serviço de ossos (ortopedia) os doentes pouco tempo aqui passam, entram e saem em dois tempos...
O motivo da minha permanência, neste lugar tão indesejado, prende-se com o restabelecimento do meu pé após a operação. Parece estar deveras complicado....
Mas estando aqui há uma semana já dá para começar a conhecer as pessoas que aqui trabalham.
E, acreditem, há de tudo...
Primeiro comecemos pelos estrangeiros que aqui trabalham: a grande maioria são espanhóis e depois temos a representação de Leste (Ucrânia, Moldávia, etc...); e como habituamente portuguêses.
O atendimento é razoável, mas como sempre há muitos"ses", que no fundo são o fulcro deste post.
Tirando um ou dois enfermeiros estrangeiros, estes atendem e explicam melhor como fazer ou não numa determinada situação. Nota-se que se esforçam por compreender o doente e têm amor à profissão que abraçaram.
Já quanto aos enfermeiros portugueses, por vezes dão a sensação que nos estão a fazer um favor. É claro que há excepções, aliás toda a regra conhece, no mínimo, uma excepção. Mas é pena não ser o contrário.
Vai-se sobrevivendo, neste mar de "ais", mas a vida lá fora continua a correr e é sempre de aproveitar.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Carpe Diem - ( I )

Devemos aproveitar o momento ou o dia, como se fosse o último da nossa vida.
Nesta lufa lufa diária não damos sentido a esta pequena expressão, que tanto significado tem.
Desde a passada semana, mais precisamente terça-feira 16, esta frase fez-me pensar o quão importante é.
Já há anos que não sabia o que era uma cama de hospital e ser atirado para este local, onde ninguém quer entrar (tal como na prisão), não é nada agradável.
Tudo isto resultou do "civismo" de um cavalheiro, que após a asneirada que fez, se colocou em fuga. Mas eis mesmo o que se passou: após ter feito uma rotunda, nas calmas pois o trânsito era bastante, fiquei na faixa mais à direita, pois aquela não tinha trânsito, uma vez que desemboca na CREL e no IC19 em direcção a Sintra. As outras duas faixas dão acesso à rotunda de Queluz de Baixo e ao IC19 sentido Lisboa.
Mas os portugueses sempre se armam em espertos e campeões. Á minha frente seguiam dois carros e eu atrás na minha moto, tudo em baixa velocidade. Eis senão quando o veículo da frente se mete na faixa de rodagem do meio, sem pista, de repentemente pois tinha aberto um "buraco". Puro chico-espertismos, como Jorge Sampaio apelidou um dia estes indivíduos. O resultado é previsivel, o carro que me precedia trava repentinamente e eu para me desviar deste vou ao "tapete" (como se diz na gíria motard).
Pé fracturado e dores imensas e uma semana e quantas mais parado....
Mas a história não fica por aqui, pois quando o condutor do primeiro carro viu o produto da sua asneira largou em devandada, sem questionar quem quer que fosse sobre o meu estado físico.
Temos que aproveitar o dia ao máximo. Agora olha pela janela e as dores do meu pé fazem-me voltar à realidade, quando eu estaria tão bem lá fora, com este lindo sol de Janeiro.
Aos chicos-espertinhinhos destes país espero que sejam mais cívicos e mais Homens para que enfrentem os problemas que provocam.
Talvez, se não circulasse a tão baixa velocidade o desiquilibrio da moto não me teria caido em cima do pé. Talvez... Talvez... Não passa de uma suposição.

domingo, 7 de janeiro de 2007

David contra "Golias"


O Atlético, quarto classificado da série D da II divisão, escandalizou hoje na quarta eliminatória da Taça de Portugal em futebol, ao vencer em pleno Estádio do Dragão o FC Porto, detentor do troféu, por 1-0 .


É mesmo caso para dizer que o David com uma só pedrada (leia-se golo) abateu por completo o "Golias" (FCP).
Ainda o FCP teve a oportunidade de empatar e, consequentemente, ir a prolongamento, mas a maré de azar foi tanta que o castigo supremo bateu no poste.

Viva ao Atlético!!!


Meu amor, meu Amor

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

in SANTOS, José Carlos Ary dos, As Palavras das Cantigas

sábado, 6 de janeiro de 2007

Recordações de Estudante


Kings step by step., originally uploaded by @rmando.

Se há quem diga que "quem passa por Alcobaça, não passa sem lá voltar" eu digo o mesmo para a cidade de Castelo Branco.
Passei naquela cidade 3 anos da minha vida de estudante e sabe sempre voltar a um local que me fez e viu crescer.
A cidade está transformada, mercê do programa Polís e quiça do seu crescimento urbanístico.
Os locais estão diferentes e as pessoas também. É uma cidade mais cosmopolita na sua acepção plena, mas uma cidade que merece ser revisitada, ainda que só de tempos a tempos.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Momentos finais de 2006

Eis que chegados ao fim de mais um ano, tudo se repete... alías, tudo na história se repete de uma forma ciclíca.
Repetem-se os votos de um bom ano, as notícias sobre os aumentos (excepto os vencimentos, que ficam sempre abaixo da média), as memórias do ano que finda e tantas outras repetições que nem vale a pena falar delas...

É altura de fazer uma pausa e reflectir o que foi bom e menos bom em 2006. Quais os factos que não foram superados e como conseguir fintá-los no novo ano.
Não deixar que estes desejos apenas "vivam dois dias" e depois se esqueçam. Assim, sugere-se a escrita dos objectivos a atingir em 2007 num bloco de folhas. A cada mês que passa revê-se a referida lista e tenta-se, desta forma, superar os objectivos propostos.
Não será difícil, basta determinação e não apenas aquelas palavras "este ano é que vai ser, etc etc...". E depois nada acontece e repete-se no final do ano "para o ano é que vai ser..."

A todos um óptimo 2007 repleto de sucessos pessoais e profissionais.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Chegou o consumismo.

Há muito que o consumismo se vem instalando nas sociedades ditas civilizadas. Por mais que Portugal queira pertencer a estas ditas sociedades (ficando atrás no essencial...) no tocante ao consumismo somos campeões.
A época que se aproxima fervilha em consumismo. Compra-se o que se precisa e aquilo que não se precisa. Gasta-se o que se tem e, pior ainda, gasta-se aquilo que não se tem.
Pouco ou nada vejo de TV, mas este fim de semana lá vi as notícias (essas por norma tento não falhar) e constatei duas coisas interessantes:
1.º - Na próxima quarta-feira, a seguir ao telejornal, vai para o ar uma reportagem sobre o endividamento dos portugueses.
2.º Quando questionaram um miúdo africano, que se encontra internado em Santa Maria, sobre quais as prendas que queria para este Natal respondeu, singelamente: "roupas e comida".

Tecemos agora algumas considerações:
  • A reportagem da RTP vem na hora H. Esta época é a de por excelência, de puro consumismo. Não se liga aquele espírito de Natal, da festa da família (ainda que, por vezes, só dure esta união dois dias e depois voltem a virar-se costas uns aos outros), do espírito de partilhar a alegria e o amor, etc, etc... Mais e mais se acaba por "calar" os filhos com mais esta e aquela prenda, pois coitadinhas das criancinhas não podem ouvir como resposta um redondo e sonante "NÃO!".

  • No que concerne ao rapazito internado, eis como uma humilde criança que nada tem, ou quase nada, soube pedir bens que lhe fazem mais falta. Não referiu que queria brinquedos, este ou aquele jogo, apenas pediu roupa e comida.

Vale a pena pensar nisto...

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Um dia vou construir um castelo...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da
própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Ser feliz - Fernando Pessoa

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Weihnachten; Natale; Noel; Christmas... 2006!!!


Inside the tree..., originally uploaded by @rmando.

Já lá vai a época em que as luzes de Natal e os seus respectivos enfeites só surgiam a 15 de Dezembro.
Agora a sede de consumismo é tanta que as luzes aparecem quase dois dias depois da entrada do Outuno.
Valerá a pena gastar tanto dinheiro quando no fundo não existe paz, amor ou outros sentimentos dignos dos humanos?
Vale a pena pensar nisto...

domingo, 19 de novembro de 2006

Mobilidades


Yamaha FZ6-N /3, originally uploaded by @rmando.

Cada vez está mais difícil chegar à cidade de transporte próprio.
Verifica-se que durante a manhã e fim de tarde há muitos transportes públicos, o qual sou adepto, mas ao fim da noite escasseiam...
Por isso a minha mobilidade torna-se bem facilitada com estas duas rodas. É de lamentar é a falta de civismo dos automobilistas que não deixam passar as motos, ou que mudam de faixa de rodagem sem olhar para os espelhos, para já não falar da falta de sinalização (piscas).

domingo, 5 de novembro de 2006

Olhos vivos, corpo desfeito...


Fish for dinner..., originally uploaded by @rmando.

Por vezes ficamos assim... Com um olhar vidrado e nem damos conta que temos o corpo todo esventrado.

domingo, 29 de outubro de 2006

À boleia...


Á boleia..., originally uploaded by @rmando.

Para os amantes da velocidade tudo vale para sentir a adrenalina e mesmo à boleia a sensação deve ser fantástica.
Quem foi ao MotoGP do Estoril viu esta cena.
Este fim de semana termina o campeonato com a vitória quase garantida do "The Doctor", Rossi obviamente.
A não perder na Eurosport...

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Ricardo Araújo Vs Odete Santos

Sempre gostei dos actores/autores do "Gato Fedorento", fazem-me lembrar esse escritor doutros séculos, Gil Vicente. Com as verdades, ditas em tom joncoso, acabam por nos fazer rir ao mesmo tempo que gozam com o paradigma actual.
Odete Santos sempre foi uma das deputadas que gosto particularmente (pese embora não perfilhe a ideologia política do seu partido).
Com estes dois ingredientes se faz este post, acompanhado de um vídeo para quem, como eu, não vê muito televisão,ou muito menos esta série de "Dança comigo".
É de ouvir e chorar por mais... Se um não se cala o outro (neste caso a outra) está sempre pronto a ripostar.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Nostálgico!!!

Após o regresso das férias sinto-me nostálgico.
Não das férias que essas passaram-se bem, embora me tivesse habituado relativamente depressa aquela boa vida.
Sinto saudades do tempo vivido nos Açores, em especial de uma pessoa que tanto amei por aquelas bandas. Hoje ao colocar esta foto no flick, associada ao poema de uma música de Pedro Abrunhosa só me deu vontade de largar tudo e estar uns minutos com a Sandra.
Apeteceu-me estar nas nuvens... Talvez esteja assim por hoje ter regressado ao trabalho. Por hoje ter estado a ver fotos dos Açores. Por saber que aquele amor é impossível de se concretizar, pese embora já não a veja há mais de dois anos ou falemos há mais de ano e meio.
Mas o ser humano é assim mesmo! Masoquista e sofredor, mas quando sabe que isso em nada o vai ajudar.
Mas amanha tudo volta ao normal... Tudo será como dantes e mais um dia terá 24H e "tudo passa, tudo passará" - como diz a canção.
Mas hoje ainda não passou e continuo nostálgico.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

E se esta moda pega???

Já são quase 5 da matina!
Acordado vou deabulando pela Net e ouvindo a TSF Rádio-Jornal (diga-se de passagem sou tsfdependente).
Terminou há pouco mais de uma hora a intervenção da Polícia sobre o indivíduo que assaltou e manteve reféns 4 pessoas (que durou cerca de 13 Horas!!!!) na dependência do BES em Setúbal.
Dei por mim a pensar: "e se esta moda pega???"
Assistimos ultimamente à moda das providências cautelares. Por tudo e por nada "toma lá que já almoçaste" levas com uma providência cautelar. E se reivindicares levas com outra para te silenciares de vez.
Já em tempos houve outras modas, mas de formas mais sui generis, os sujeitos barricavam-se num banco ou numa RTP (ainda na 5 de Outubro) para reivindicar algo, chamando desta forma a sua atenção sobre a sua problemática vida. Quem não se recorda do indivíduo que se barricou no banco do Carrefour de Telheiras, reivindicando o regresso da mulher para casa; ou daquele sujeito na casa-de-banho da RTP?
E mais casos existiram certamente, mas o tempo faz apagar tais acontecimentos fúteis.
Se esta moda, de assaltarem e fazem reféns, pega, pois ainda há poucas semanas tivemos um caso similar em Almada, teremos "novela" garantida nos canais da TV. Mesmo assim não devem ter visto o filme "O Infiltrado" pois esses eram mais bem organizados!
Vi pela televisão que todos os canais fizeram "directos" e não foi só uma vez, refira-se. Numa dessas intervenções jornalistíscas viam-se os reféns a passear saudávelmente (e ainda bem) junto das janelas do Banco BES-Setúbal. Não será somente para protagonismo dos assaltantes?? Desta forma (com a intervenção de toda a comunicação social, mirones que só atrapalham quem tenta negociar a melhor saída possível) só se incentiva ao protagonismo destes sujeitos que anseiam desmedidamente por alguns minutos de fama e assim tentam chamar as atenções.
Se esta moda pega, como pegou a moda das providências cautelares, aconselha-se os amigos leitores a deslocarem-se aos bancos logo pela fresquinha.
Talvez não fiquem reféns, pois estes assaltos ocorrem quase sempre pelas 14H30.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Novo PGR - Juiz Conselheiro Pinto Monteiro

Foi com agrado que ouvi na TSF, em primeira mão, a notícia sobre a escolha do novo PGR.
É que além do invejável currículo, o Sr. Juiz Conselheiro Pinto Monteiro, foi meu professor. Já aqui tinha feito referência às suas aulas, aquando da sua despedida como professor da cadeira de Teoria Geral do Direito Civil na UAL. Ali tudo estava preparado e a matéria era dada de forma exemplar, havendo sempre na aula ou fora dela lugar para tirar dúvidas ou outras questões mais pertinentes que sempre possam surgir na cabeça de um estudante de Direito.
Só quem nunca privou com o agora escolhido Procurador desconhece o seu talento e exigência. Sempre se gabou de ser isento, tendo por diversas vezes referido que tinha reprovado naquela cadeira o seu sobrinho, pois "as pessoas passam pelo que têm que saber".
Congratulo-me com esta escolha e deixo aqui os meus sinceros parabéns ao Sr. Juiz Conselheiro com votos que desempenhe o seu novo cargo com a máxima eficiência e muito sucesso.
Talvez já não lhe possa dizer pessoalmente mas até ao momento foi um dos melhores professores que já tive.
Poderão pensar que por ter feito esta cadeira estou a "engraxar", mas engane-se quem tal assim pensa. Apenas tive 12 valores e aventurei-me numa oral de melhoria, realizada durante uma hora e dez minutos, tendo finalmente atingido a nota de 14 valores.
Se suar por uma nota é bom, melhor ainda o é quando a exigência do professor faz com que encaixemos a matéria e não se decore tudo para um exame para mais tarde não nos lembrarmos de nada.
Parabéns Prof. Pinto Monteiro!!!!

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Finalmente... De férias!!!!

Já não era sem tempo. Nesta "altura do campeonato" já a grande maioria foi de férias e voltou ao trabalho.
Iniciam-se hoje as minhas queridas férias. Andava desejoso de poder usufruir de uns dias de descanso. Não só de descanso físico, mas sobretudo de descanso mental.
As aulas, o trabalho e os restantes afazeres levam a que o cansaço seja grande e não chega um fim de semana para carregar as baterias.
Vou estar fora três semanas, que se adivinham rápidas, pois quando se está bem acaba-se mais depressa. Decidi não sair de Portugal (bom... sou capaz de dar um saltinho aos nuestros ermanos, quando me encontrar no nordeste transmontano)... Assim irei dividir o tempo para que visite o nordeste transmontano (ando com saudades daquelas comidas do norte, a comida em Lisboa não sabe a nada e as doses estão cada vez mais pequenas).
Aproveitarei para colocar em dia a Leitura (sem ser livros de Direito, pois esse vão-se lendo sempre durante todo o ano) e quiça este blogue, fazendo aqui um apanhado dos meus dias de férias, assim consiga ter Internet móvel em todos os locais onde me encontre.
De fora deixo o telemóvel (podem ligar, mas pode acontecer eu não atender... afinal estou de férias), os posts no fórum das motos e com menos assiduídade as fotografias no flickr, uma vez que quero aproveitar o tempo para me divertir e não estar colado ao ecrã do portátil.
Poderão questionar-se o porquê de o levar mas é uma ferramenta sempre útil, nem que seja apenas para jogar ou ver um filme, sempre ajuda a distrair, uma vez que não sei como irá estar o tempo.

Desculpem mas está verde, tenho que arrancar de férias!!!!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Conversas da treta ou de encher chouriços?

Há conversas e conversas...
Há tretas e tretas...
E há por fim conversas da Treta, mais softs que aquelas que o António Feio e o José Pedro Gomes tiveram em cena, embora o género também nada tenha a ver com estas últimas.
Há pessoas que tudo fazem para não se manterem caladas e quiçá atingirem os seus objectivos. Na maioria das vezes não nos apercebemos desses objectivos mas depois de tanto andarem a circular em torno do mesmo verificamos onde querem efectivamente chegar. E quando os temas do habitué começam a ser escassos inventam-se novos assuntos e saliva desnecessaria continua a ser gasta.
Eu costumo chamar a este tipo de conversas "conversas de encher chouriços", pois não levam a lado nenhum e não possuem qualquer ciência.
Haverá pachorra para este tipo de conversas? Da minha parte não, mas quem as produz deve ter a pachorra necessária para as ouvir, isto se a pessoa em causa se ouvir a si própria.

PS- Ando mesmo a necessitar de férias, tou frenético.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Divagações...

Voas na noite...
E em cada chama acessa tentas poisar
Voar... Navegar...
Calma serena que vi em teu olhar
Olhos brilhantes e lábios quentes
Ah! Quero-te e não estás...
Voas e brincas no ar...
Em torno das luzes que te prendem
E não sei porque não pousas em mim...

Estarei apagado ou a minha chama
não é assim tão apelativa?

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Despromoção...

Nunca se tinha visto algo assim... A cantilena que se aprendia na escola de um momento para o outro deixou de ser tão grande. O dito PLUTÃO passou a ANÃO e deixou de ser um planeta.
Mui sui generis esta despromoção do conselho científico para a Astronomia.
Mas desta forma muitas mais coisas há a retirar desta promoção: 1.º o que hoje é verdade amanha pode não ser; 2.º os nossos conceitos sobre planetas mudam com o evoluir dos tempos (e nunca mais chegamos a descobrir os homens pequeninos e verdinhos); 3.º a ciência é fascinante e ainda nos reserva muitas outras descobertas.

O coitado do Plutão é que não teve a quem se queixar pela despromoção...
Agora que vivemos numa sociedade em que tudo e mais alguma coisa tem direitos, não teria o Plutão direito a permanecer como Planeta???

domingo, 20 de agosto de 2006

Ainda não fui de férias....

Não, ainda não fui de férias. :-(
Antes tivesse ido, pois o trabalho tem sido imenso. Nesta altura o trabalho não é excessivo, mas há que colmatar as faltas de quem está ausente a gozar as suas férias. É que há trabalhos que não podem ficar para amanha. Pois relembrando a sabedoria popular "guarda que comer, mas não guardes que fazer", o trabalho têm que ser feito.

Este fim de semana realizou-se a concentração motard de Góis e contra todas as minhas expectativas cá fiquei por Lisboa, fechado a trabalhar, como qualquer criminoso que cometeu o mais hediondo crime e cumpre a sua pena.
Nem as diversas tentativas para adiar este serviço, ou melhor, para o permutar me valeram de nada!
Mais uma vez fiquei a ver as motos a passarem ao lado....
Aguardo com alguma espectativa as crónicas que irão nascer nos diversos fóruns da especialidade e se calhar, ou talvez não, constatar que nada perdi e que ainda bem que fiquei por Lisboa. Contudo há sempre uam coisa que se perde que é o contacto com os nossos amigos e o facto de se viver em uníssono uma paixão tão mal-amada por aqueles que não nos entendem...
Será que desta vez os senhores de farda cinzenta, vulgo BT-GNR, irão fechar a auto-estrada em Aveiras para fiscalizar unica e exclusivamente os veículos de duas rodas.
Preocupa-me esta atenção desmedida e o facto de nos considerarem como os principais prevaricadores dos acidentes em Portugal. Mas e mais uma vez o povo tem razão "a culpa nunca morreu solteira", querendo com isto dizer que a culpa dos acidente tem que ter um bode expiatório, que neste caso são as motos.
Para o próximo ano prometo que não falto a Góis, pois QUERO férias em Agosto e nesta altura!!!

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Lisboa foi de férias...

Adoro este mês de Agosto em Lisboa.
As ruas de manha e ao fim da tarde estão quase desertas. O trânsito é muito menor e mesmo para quem circula de moto faz o trajecto muito mais rapidamente.
Esta altura do ano faz-me lembrar a música do ex-grupo de Luís Represas (TROVANTE) em 125 azul, "(...) A ponte ficou deserta nem sei mesmo / Se Lisboa não partiu para parte incerta (...).
Eu cá continuo na minha labuta diária e só em Setembro parto rumo às merecidas férias laborais e estudantis. E acreditem que são bem merecidas, pelo menos o cansaço é a duplicar e não há corpo que aguente infinitamente...
Enquanto tal não acontece vão "nascendo" novas fotos no Flickr e novos post's por aqui.
Boas férias se for o caso!!!

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

www.flickr.com/

**sadi**. Get yours at flagrantdisregard.com/flickr

As minhas fotos. Cinco já estão no explore (uma espécie de distinção das melhores do dia-a-dia).
A consultar : aqui

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Mc Donalds

Raramente entro num restaurante "de comida de plástico", talvez hoje tenha sido uma excepção, aliás já nem me lembrava da ultima entrada naquele tipo de restauração.
Por razões profissionais vim até Oeiras e eis que me apeteceu comer qualquer coisa à beira-mar, de forma rápida e leve.
Mas a enchente era imensa...
Desta feita e porque estava na Praia de Santo Amaro a escolha recaíu no Mc. Mais uma vez havia imensa gente... Mas o atendimento até que não foi demorado.
Na espera, para ser atendido fui apreciando o que me rodeava e analizar as pessoas que costumam frequentar (ou que acidentalmente ali estavam como eu) aquele tipo de restaurante.
Havia de tudo e para todos os gostos. Ainda assim, quem mais me centrou as atenções foi um grupo de 6 pessoas muito bem vestidas (não que as outras estivessem mal vestidas, mas andavam em trajes próprios de quem está de férias ou pelo menos na praia) e que falavam em alto e bom som, com algumas gargalhadas à mistura.
As três raparigas (acompanhadas por três colegas de trabalho) eram esculturas perfeitas e bem definidas. Além do bom gosto pela roupa, tinham outros atributos que aqui me eximo de comentar.
Dei por mim a pensar, naquela altura, como a roupa é essencial para chamar a atenção de uma pessoa (e o figurino também, obviamente) e como um riso simples numa cara a pode ainda tornar mais bonita.
Lá traguei um Mc chicken e substitui a dita Cola por um horrivel sumo de laranja.
Foi a minha primeira ida ao Mc este ano. Para o ano certamente haverá mais...

domingo, 23 de julho de 2006

Vinte e cinco anos...

Está a decorrer neste fim de semana a Concentração Motard de Faro.
Todos os anos a concentração reune amantes de duas rodas e o espectáculo é digno de se ver.
Não sou muito amante deste tipo de encontros, por mais que tudo corra bem, não se desfruta da companhia como deve ser, devido ao excesso de pessoal.
Contudo este ano vou tentar ir a Góis. Sempre é uma concentração mais calma e mais bonita, com o rio ali por perto
Parabéns à organização deste ano de Faro.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

O injustificável justificável.

Perdendo-me
Mutilando-me...
Abandonando-me...

Encontrando-me...
Socorrendo-me...
Achando-me...


Querendo-te e largando-te
Injustificadamente justifico-me:

- Quero a minha liberdade,
A qual necessito como se fosse ar.
Por isso:
- Não me faças perder,
Mutilar ou até mesmo abandonar...

Mas ao mesmo tempo quero-te amar.

sábado, 15 de julho de 2006

Serviço H24

Chateia-me o facto de ter que fazer serviço de 24 horas.
De vez em vez lá cai a nódoa no melhor pano e eis-me entre 4 paredes, telefones por todo o lado e alguns computadores.
Depois são as chamadas telefónicas a cair em catadupla. Pessoas que consideram a sua desgraça maior que a dos outros - os nossos males doem-nos sempre mais que as dores que afligem os outros, ainda que venhamos a reconhecer que as maleitas dos outros são efectivamente maiores.
Mas encontra-se de tudo. Por vezes e principalmente através dos telefonemas (onde há um certo anonimato) dizem-se barbaridades que nos fazem vir as lágrimas aos olhos de tanto rir.
Recordo aqui algumas, para verem como há pessoas, que pela sua doença de foro mental ou por solidão encontram nestes serviços permanentes a muleta o apoio que procuram e não encontram em mais lado nenhum.

Eis algumas das melhores que por aqui se vão apanhando:

  • a aldeia de Vila-flor, no Alentejo, perto de Cuba desapareceu no mapa, já percorri tudo e ela não está lá, por acaso os senhores já a encontraram?;
  • alguém anda a roubar os pulmões, o fígado e os intestinos dos meus filhos, quero que os senhores apanhem esses malandros que andam a fazer mal aos meus filhos;
  • venham depressa cá a casa que os fantasmas do andar de cima já estão a descer pelas paredes e daqui a nada sufocam-me, violam-me, como fazem todas as noites, venham depressa por favor, é um caso de vida ou morte.

E outros e mais outros casos, mais melindrosos e obscuros que não vale a pena expôr aqui, pois iriam achar que estive a ver um filme de ficção antes de iniciar estas letras.

A pura verdade é que estes serviços dão cabo de mim, esgotam a minha paciência, para além de estar aqui fechado 24 horas. Só quem passa por aqui 24 Horas sabe realmente daquilo que estou a falar.

Ainda faltam quase 8 horas, o pior tempo a passar, mas depois vou de fim de semana para relaxar e esquecer estas malditas horas de sofrimento.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Músicas que nos marcam...

Já tinha trazido à colação, neste blog, que há músicas que quer pela sua poesia ou pela forma como são interpretadas nos deixam recordações cada vez que as ouvimos, sendo certo que essas memórias (sempre boas, por sinal) fazem-se acompanhar da lembrança de quem partilhou esse momento peculiar connosco.

Desta vez a letra que aqui partilho é de uma das últimas músicas de Rui Veloso, intitulada "Não queiras saber de mim":


Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo


In Rui Veloso

domingo, 9 de julho de 2006

Ausências...

Tenho andado ausente...
Se por um lado a vertente profissional me tem deixado menos tempo, por outro a vertente opcional (leia-se escolar) têm-me ocupado os dias.
Junho foi um mês infernal, em todas as semanas um exame, com excepção da ultima semana em que foram dois. Mas valeu o esforço, aliás "tudo vale a pena se a alma não é pequena" - como dizia o poeta!
A etapa foi dada como salva, recupera-se agora todo o tempo perdido, seja nestas pequenas letras, seja com os amigos e amigas que ja se questionavam por onde me tinha metido.
O grupo das motos anda animado, test-drives e novas experiências, para além da paragem quase obrigatória todas as terças e quintas no verdinho e no francês, respectivamente.
Surgiu um novo grupo... Não de motos!!! Mas de fotografia... Mais velhos, têm muito que ensinar, mas são uns porreiros... (por vezes sinto que não viveram a sua juventude e estão agora a desforrar-se de tempos perdidos) Sempre bem dispostos!!! Ah! Como é bom ver gente bem-disposta!
Mas as minhas ausências a este blog também se devem em parte à descoberta de uma página na net onde se podem colocar fotografias e comentar outras... Aliás foi daí que surgiu o novo grupo de fotografias.
Como a vida foi, é e será diferente com a Internet!
A ausência... Já não é o que era!

sábado, 1 de julho de 2006

Poema da Vida!

MEMÓRIA

Ora isto, Senhores, deu-se em Trás-os-Montes,
Em terras de Borba, com torres e pontes.

Português antigo, do tempo da guerra,
Levou-o o Destino pr'a longe da terra.

Passaram os anos, a Borba, voltou,
Que linda menina que, um dia encontrou!

Que lindas fidalgas e que olhos castanhos!
E, um dia, na Igreja correram os banhos.

Mais tarde, debaixo dum signo mofino,
Pela lua-nova, nasceu um menino.

Oh! mães dos Poetas! sorrindo em seu quarto,
Que são virgens antes e depois do parto!

Num berço de prata, dormia deitado,
Três moiras vieram dizer-lhe o seu fado

(E abria o menino seus olhos tão doces):
"Serás um Príncipe! mas antes... não fosses."

Sucede, no entanto, que o Outono veio
E, um dia, ela resolve ir dar um passeio.

Calçou as sandálias, toucou-se de flores,
Vestiu-se de Nossa Senhora das Dores:

"Vou ali adiante, à Cova, em berlinda,
António, e já volto..." E não voltou ainda!

Vai o esposo, vendo que ela não voltava,
Vai lá ter com ela, por lá se quedava.

Oh homem egrégio! de estirpe divina,
De alma de bronze e coração de menina!

Em vão corri mundos, não vos encontrei
Por vales que fora, por eles voltei.

E assim se criou um anjo, o Diabo, o lua:
Ai corre o seu fado! a culpa não é sua!

Sempre é agradável ter um filho Virgílio,
Ouvi estas carmes que compus no exílio,

Ouvi-os vós todos, meus bons Portugueses!
Pelo cair das folhas, o melhor dos meses,

Mas, tende cautela, não vos faça mal...
Que é o livro mais triste que há em Portugal!

António Nobre

quinta-feira, 29 de junho de 2006

sábado, 24 de junho de 2006

Refugiados

Foi nesta semana que lhes foi dedicado um dia, escrevo - como é dedutível pelo título - dos Refugiados.
Em Janeiro na elaboração de um traballho, para uma cadeira da Universidade, sobre o Tráfico de Pessoas, deparei-me com o problema de haver poucas ou quase nehumas estatísticas sobre os refugiados e o tráfico de seres humanos.
Todos os dias movimentam-se, quer nas sendas do crime quer para fugir a outros males, pessoas inocentes.
Dá-me pena as crianças... E ver que em cá entre nós por vezes julgamos que nos falta alguma coisa e afinal até temos em excesso. E seria preciso dar muito para fazer um mundo melhor??? Certamente que não, bastava que dessemos aquilo que temos em excesso e se procurarem bem há tanta tralha que não lhe damos uso.

Vamos ajudar quem sofre!

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Saudades....

Pôr do Sol
© All rights reserved.

Por vezes as imagens, os cheiros, as palavras ou as músicas fazem-nos "partir" para bem longe de onde estamos e trazem-nos à memória.... Saudades!...

terça-feira, 20 de junho de 2006

Retrato...

Retrato de uma princesa desconhecida

Para que ela tivesse um pescoço tão fino

Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule

Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos

Para que a sua espinha fosse tão direita

E ela usasse a cabeça tão erguida

Com uma tão simples claridade sobre a testa

Foram necessárias sucessivas gerações de escravos

De corpo dobrado e grossas mãos pacientes

Servindo sucessivas gerações de príncipes

Ainda um pouco toscos e grosseiros

Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente

Para que ela fosse aquela perfeição

Solitária exilada sem destino


Sofia de Mello Breyner Andresen


domingo, 11 de junho de 2006

Casar?

Numa altura em que foi divulgada uma estatística do INE, na qual 2005 foi o ano em que existiram menos contrações matrimoniais, eis que todos os sábados se ouvem carros em frenesim de fitinhas nas antenas dos auto-rádios.
Se em 2005 recuamos aos anos 40, do século passado, a nível de casamentos possivelmente subimos (e em muito) o número de divorciados por metro quadrado. Cada dia há mais divorciados e mais pessoas a viver em economia comum (ou comunhão de mesa, se assim lhe preferirem chamar).
Relativamente ao casamento há a salientar dois pontos: o casamento pela igreja tem vindo a diminuir (fruto dos tempos, certamente!), sendo que já nem há missa completa, limitando-se o padre a fazer uma cerimónia que em muito se assemelha à do registo (a excepção vai para o discurso em torno da fé e da igreja); por outro lado o casamento (que não passa de um contrato como outro qualquer) exige uma logística e custos deveras elevado, ganhando com tais cerimónias o fotografo, o restaurante e toda a panóplia de intervenientes neste espectáculo mediático.
Não sou apologista do casamento, nunca o fui aliás... A maioria da juventude, hoje em dia, quando casa vai na espectativa de que "se não der certo, cada um vai à sua vida".
E assim vamos nós em divórcios em Portugal.

sábado, 10 de junho de 2006

Lágrimas...

Chorar é um transbordamento.
Choro quando estou muito alegre, ou muito triste, ou
[ com muita raiva.

Por isso chorar é o ato mais forte que existe.
Mostro o que sinto e o que sinto é caudaloso e
[ límpido.

E eu não tenho porque não fluir:
Não tenho limites.

Maria Inês Chaves de Andrade, in "Ilimitada".

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Divagações....

Caminhava pela berma do carreiro, batendo ao de leve a saia no mato viçoso. Nunca ligou ao ditado que professa que "quem se mete por atalhos se mete em trabalhos". Aquele carreiro era um golpe de vista, iria chegar cedo à ceifa.
Levava nos braços a força de uma rapariga de 20 anos...
Mangas arregaçadas e ja ia com meia courela de avanço quando chegaram as outras ceifeiras. Espantadas por a ver ali e em tão adiantado estado de trabalho apenas disseram bom dia, cabisbaixando-se por terem chegado tarde, escondendo o rubor que lhes atiçava a cara.
- A Maria do Ti Júlio Forte voltou a fazer das delas - iniciou uma a conversa para quebrar o silêncio que ja agonizava no peito.
-Parece que sim, mas daquela alminha o que se espera. Tem a quem sair... Oh!, se tem a quem sair... Lá isso tem. - argumentou a mais velha das ceifeiras.
- Também havia necessidade de fugir co'homem?
A conversa continuou animada e controversa. . O sol mostrava-se, ainda que adormecido, pois todo ele reluzia vermelhão. A alvorada indiciava a presença de mais um dia quente e seco.
-Uiiiii ai... - gritou a moça que tinha madrugado mais que as outras madrugadoras.
-Que foi? - disse uma. E logo outra: - Que raio se passa, pra tanto alarido, nossa Senhora Virgem Mãe?
Mais calma e menos ofegante, em puras gargalhas respondeu: - apenas um ninho de ratos na ceifa.
Mais tarde um homem pegou noutros ratos e colocou-os no decote, atingindo o peito da rapariga. O alarido foi imenso e a rizada ainda maior.
O calor apertou.... Os trabalhadores evaporaram-se para longe do campo de suor.
A mais madrugadora foi-se embora sem darmos conta, nem o nome chegamos a saber. Nem ela saberia que iria casar com o rapaz atrevido dos ratos.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956 - António Gedeão