“Recomeça… se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”
Miguel Torga

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ser poeta... ou talvez não. :-)



Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!

By Florbela Espanca

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A voz que arrepia.

Uma belíssima voz.
Ela que hoje, numa entrevista à SIC, se queixa que os senhores das rádios não passam as suas músicas.
Um pequeno tributo a esta voz arrepiante.

domingo, 1 de julho de 2007

Não queiras saber de mim...

sábado, 30 de junho de 2007

Cavaleiro Andante

Porque sou cavaleiro andante,
que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito,
as mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe,
e a chuva de Maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe,
e a vida passe e não te olhe.

Porque sou cavaleiro andante,
que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito,
pois sabes sempre onde estou

E sempre que a rádio diga,
que a América roubou a lua
Ou que o louco te persiga,
e te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta,
mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias,
de viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito,
longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado,
no meu cavalo de pau

ouvir música

Rui Veloso

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Músicas que nos marcam...

Já tinha trazido à colação, neste blog, que há músicas que quer pela sua poesia ou pela forma como são interpretadas nos deixam recordações cada vez que as ouvimos, sendo certo que essas memórias (sempre boas, por sinal) fazem-se acompanhar da lembrança de quem partilhou esse momento peculiar connosco.

Desta vez a letra que aqui partilho é de uma das últimas músicas de Rui Veloso, intitulada "Não queiras saber de mim":


Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo


In Rui Veloso